O menino que deu nó em barbante
– de moço não aprendeu ser amante –
desatou a chorar pois seu mundo
não era maduro e profundo
e lhe faltava a mágica para brincar de ser mágico
Mas o menino que deu nó em barbante
era um mágico insinuante
que enganava a gente com sua adultice
que iludia a gente com sua doisice
que arrancava lágrima da gente
– sabia surgir falta de perto –
e quando não se sentia contente
sem cartola pegava coelhos pela orelha
O menino que deu nó em barbante
tinha dedos de criança
fingidos
que falaram pra ele
“você pode dar nós em barbantes”
– mas eram mentirosos demais –
e mesmo ele sabendo
fez mágico nó
(e com uma mão só!)
O menino que deu nó em barbante
desdizeu as próprias mãos
e fez mágico nó
e fez mágicos nós
em nossos trágicos sós
e fez o barbante crescer até que pudesse amarra-lo bem longe
Bem longe
perto dele
onde tem sol
O menino que deu nó em barbante
disse do nó e do barbante
tão por acaso e
não sabe de todo caso
que o menino que escrevia
– este sou eu –
deu pra sua meninice
e o menino que escrevia
surpreso morria
querendo viver de novo
sob título tão bonito:
O menino que dava nós em barbantes
Presente lindão do amigo querido, Rafael Pelvini. :)
Inspirado em uma história de infância, atual.