policlefe

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o menino que dava nó em barbantes.

O menino que deu nó em barbante
– de moço não aprendeu ser amante –
desatou a chorar pois seu mundo
não era maduro e profundo
e lhe faltava a mágica para brincar de ser mágico

Mas o menino que deu nó em barbante
era um mágico insinuante
que enganava a gente com sua adultice
que iludia a gente com sua doisice
que arrancava lágrima da gente
– sabia surgir falta de perto –
e quando não se sentia contente
sem cartola pegava coelhos pela orelha

O menino que deu nó em barbante
tinha dedos de criança
fingidos
que falaram pra ele
“você pode dar nós em barbantes”
– mas eram mentirosos demais –
e mesmo ele sabendo
fez mágico nó
(e com uma mão só!)

O menino que deu nó em barbante
desdizeu as próprias mãos
e fez mágico nó
e fez mágicos nós
em nossos trágicos sós
e fez o barbante crescer até que pudesse amarra-lo bem longe

Bem longe
perto dele
onde tem sol

O menino que deu nó em barbante
disse do nó e do barbante
tão por acaso e
não sabe de todo caso
que o menino que escrevia
– este sou eu –
deu pra sua meninice
e o menino que escrevia
surpreso morria
querendo viver de novo
sob título tão bonito:

O menino que dava nós em barbantes

Presente lindão do amigo querido, Rafael Pelvini. :)
Inspirado em uma história de infância, atual.

Posted on Monday, August 1 2011. Tagged with: blablabla
policlefe trocadilhos. a chave mestra do relógio e da laranja. o mecanismo falho dos dias narrado por um procrastinador crônico de sonhos impossíveis, olhares atentos e palavras pouco garantidas. em traços, cores e linhas tudo se transforma. abre-se uma porta de cada vez.
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