há tanto tempo que a conheço e só agora me peguei sem graça por pouco tocar em seu nome ou dedicá-la em declarações abertas. difícil é começar dizer algo daquilo que é grandioso. e não é do que se faz, mas sim do que é. nada parece ser cabível ou sensato ao que condiz com a realidade. e apesar das tantas voltas que já demos, dos desencontros, dos anos cegos, é facil identificá-la em um sorriso solto, em um canto iluminado que ela trouxe pro meu coração. ela é assim, dessas que chegam com aquele olhar de canto, um sorriso tímido, que expressa mais com gestos que palavras. e pergunto, palavras pra quê? ela tem a cor, o som e faz uma porção de alusões ao que carrega estampado em abraços. gosto dela logo de cara. nômade por paixão, é dona das noites imprevisíveis. e ela sempre volta e senta ao meu lado. uma vez aqui, outra lá, ela é aquela que carrega as horas por ser companheira. e companhia - das mais incríveis, posso dizer. eu a tenho aqui, tão perto. o suficiente para me ouvir e um tanto ainda a aprimorar na questão da saudade. ela é de pele, de ritmo, de festa e alegria. penso nela com as melhores lembranças e cheiros. ela traz a casa que eu chamo de lar. e ela entende, compreende e se faz mulher em atitudes de quem vai ser jovem e moça pra eternidade. ela canta com paixão, daquelas que a cozinha se torna um palco com público de estádio inteiro. e se emploga. mesmo que “daquelas” a deixe em uma posição que não é, por ser única - ser ela - é a ela que pertencem os abraços e carinhos fáceis. e eu a abraço. assim como sua familia, que me recebe com carinho e café da tarde. das manhãs sonolentas, as fugas, o café frio, as queixas, as distâncias, as noites sem rumo, o violão, o sol no rosto, o programa de domingo, as conversas de cinema, as bandas, os livros, a ida postergada, o amor. ela é aquela que faz doer e alivia tensões. e se quase sempre há a questão dos caminhos longos e os lugares que nunca chegam, eu não me importo. se tiver de caminhar com ela.