calço o fututo como se fosse um sapato apertado. e o caminho que me traz é o mesmo da ida. quase nada muda, mas acrescenta a cada parada. desejo dias de sol e mais pacificidade entre os rostos amigos. simplicidade assim, gratuita e recíproca. porque nos meus desejos, ainda moram todos juntos, num mesmo lugar. sonho com coisas dignas de um coração adolescente e o teletransporte é daquelas que não deveria ficar só na imaginação. hoje acordei meio assim, triste e feliz. um calor que nem sempre se justifica. então eu sorrio e choro. molho lembranças que gostaria que todos conhecessem. o meu dia começa com preces silenciosas e estrondosas. depende das próximas horas. depende somente de quem acatar meus abraços. deixei de fingir pra ser aceito. deixei de carregar culpas pra encontrar liberdade. tolices que me fazem valer um gole a mais no café. que tornam as decisões menos penosas. se eu ainda disser que pouco entendo sobre tudo, sorriria ao me ver na lua. a mesma que aparece na sua janela agora. ela também ilumina minha mão debruçada em rabiscos. calço o futuro meio de lado. sem perceber que o que o faz macio são os passos. estes que guardo na beira da cama, esperando o dia começar outra vez.