policlefe

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c_batão.

cubatão é apocaliptico. mas até aí, qual é a novidade? não fosse minha chegada, nenhuma. ainda que esta nem deveria ter importância para ser anunciada. me desvalecia em sorriso technicolor na cidade escala de cinza. procurava apenas vida mais interessante ou algo que pudesse dialogar palavras além das que acabara de comprar no sebo. de qualquer maneira, me perdi no tempo, sem desculpas ou explicações. a nuvem negra que cobre a cidade, vai longe, mas alcança o coração assim, fatalmente rápido, imperceptivelmente perto. furo tênue ou profundo. pro dia, uma nova camada de fuligem, pra mim, passos incertos, destinados a duvida de querer uma cerveja ou achar logo um hotel - os dois aqueceriam mais o peito. é de doer. porém, nenhuma cara me enfrenta para dizer a verdade. nenhuma sombra se deixa lançar no papel sem que minhas letras sejam escritas com sentido. confesso aliás que este já anda falho, por achar que aqui meu corpo quase se desfaz. afinal, capacidade virou sinônimo de luxo há alguns meses, minha presença quase nunca se pontua em maestria, tremula até mesmo ao tentar provocar círculos na água. estranho perceber como minha indecisão parece ser gratificante. um nada para o qual eu olho com orgulho. o vazio do vazio. ora claro, ora confuso. essa luz fraca permite lampejos pobres de como as ruas e as casas daqui me trazem certa angústia. mesmo sem me fazer infeliz e eloquente. por falta de convencer, falo com todo mundo. por falta de um sorriso colorido, deixo a cidade me transformar. ou quase. besteira é permitir dureza no coração quando o quarto pode se encher de sol. cubatão é apocalíptico, mas não desarmo o coração para peças mal interpretadas.

Posted on Sunday, May 23 2010. Tagged with: blablabla
policlefe trocadilhos. a chave mestra do relógio e da laranja. o mecanismo falho dos dias narrado por um procrastinador crônico de sonhos impossíveis, olhares atentos e palavras pouco garantidas. em traços, cores e linhas tudo se transforma. abre-se uma porta de cada vez.
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