às vezes eu tenho raiva dos meus olhos. e isso eu até consigo explicar, já que nesses dias ando tão subjetivo. os meus amigos têm as palavras em forma de expressões. pra mim não é tão fácil me comunicar assim. mas naquele dia, eu percebi que meus olhares andavam mais falantes que nunca. até porque, acho que nunca foram. daí, veio a vontade de te fazer mais perto. puxar pra cá, dentro de mim. debaixo da pele. uma vez mais. e desmentir a todos aqueles que dizem que ser um só não vale a pena. ser um com dois é bem melhor, eu digo. e quando suas vontades conflitarem as minhas, a gente não precisa deixar de ser único. somos dois, de um mesmo corpo. dois de um, voltamos pro mesmo lugar, nos encontramos na frente, num ponto singular. e inconsciente ou não, a nossa casa não só é distante quando estamos longe. porque a casa não é um lugar. e se for um, é porque já está tudo maior. mais que a gente pensa. daí, pra ser onipresente não é difícil. mas a gente gosta assim. gostamos de ser intocáveis, pra poder retornar onde tudo sempre está bem. precisamos disso. um dia todo fora de casa, meses, anos. a gente se sente visita. uma visita nesse mundo todo, onde quer que seja. a gente precisa encontrar desconforto pra perceber que nosso lugar é só um. eu contigo. você comigo. e não há lugar melhor no mundo que nos faça sentir em casa. nao há signo que desminta a ascendência de sermos compatíveis. não há melhor lugar que. nós.