policlefe

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eu dava passos firmes numa cidade onde os semáforos são inimigos. um tanto confuso tentar construir o que quer que seja agora. mais infame ainda seria podar sentimentos nus que aparecem por instinto. eu pensava em foucault. naquele filho da mãe que havia me tirado a paz, já que tudo agora parecia alusão ao que me amarrava no cotidiano. as alternativas se escapam de vez em quando e tudo o que eu tento fazer é me prender a mais uma canção, enquanto corto ruas que me devolvem a casa. algumas coisas nunca vão embora. e se vão, parecem sorrir de canto dizendo que em breve estarão aqui logo menos. valha-me deus. valha-me alguma coisa agora que não a frivolidade dos dias. valha-me os sonhos que deixo perdidos entre as construções e os arranha-céus. pouco sei quanto tempo ainda viverei aqui. pouco sei sobre a vida e a história. red lights. todas essas linhas: paralelas, perpendiculares, tranversais e infinitas, ganham novos discursos a cada mão errada que eu entro. e se não sou mais que um olhar desviado dos motoristas, posso me garantir em algum lugar onde o espectro já não existe e as imagens são confusas demais pra explicar os corpos caídos no chão do meu banheiro. não é só o semáforo que fica vermelho, posso exemplificar meus últimos dias. eu sei.

Posted on Wednesday, March 10 2010. Tagged with: blablabla
policlefe trocadilhos. a chave mestra do relógio e da laranja. o mecanismo falho dos dias narrado por um procrastinador crônico de sonhos impossíveis, olhares atentos e palavras pouco garantidas. em traços, cores e linhas tudo se transforma. abre-se uma porta de cada vez.
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