policlefe

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slaplife.

eu mal tinha acordado e ela sentou na beira da cama. não me olhou, nem disse nada. mas botou o peso da culpa em mim, estendendo a vontade de permanecer deitado pelo resto do dia. não se precisa de muito. aliás, nem preciso de nada disso pra olhar pro teto e fingir que ela não existe, enquanto a janela me mostra um pouco do que resta das horas. cinza. são paulo, pensei, como se fosse incurável a falta de cores que parecia adentrar no meu quarto. antes fosse só o cinza, sem a chuva que meus olhos também resolveram adotar de lá fora. ela não disse nada, mas bastou sentar perto de mim pra fazer entender no coração as dores mal resolvidas, cheirando adolescência. pareceu-me imaturo culpar o tempo de novo. pareceu-me imaturo arranjar qualquer desculpa se não a de assumir os erros e pretender que tudo continuaria normal e a vida assim estaria sob controle. não. ela se sentou ali, fazendo o pacto do silêncio pra mostrar que pode mais que eu. que ela quer muito mais do que eu sou capaz de levar. que ela me vê de um modo que eu ainda não aprendi a ser. que ela já quase não faz parte de mim e, para acompanhá-la, depois dessa conversa, nos próximos passos, precisaria dividir o que quer me oferecer. talvez fez isso porque queria dizer que ainda não tinha desistido de mim. e mesmo sabendo seu nome, fez questão de me dizer nos olhos. como um tapa. mais do que o pacto do silêncio, minha vida selou as palavras ao “dizer” que já estava na hora de acordar. pra valer.

Posted on Wednesday, March 9 2011. Tagged with: blablabla
policlefe trocadilhos. a chave mestra do relógio e da laranja. o mecanismo falho dos dias narrado por um procrastinador crônico de sonhos impossíveis, olhares atentos e palavras pouco garantidas. em traços, cores e linhas tudo se transforma. abre-se uma porta de cada vez.
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