deu o último nó. ingenuidade - nada disso. apesar de não gostar da ideia, o conformismo as vezes é passo que deve ser aceito. assim, mesmo que o coração não reserve canto especial para tanto. mas o que fazer quando se vê nos demais algo que não pode mudar? usar as mãos? deixa ser, deixa estar. se apenas resumisse em frases prontas, diria que sartre teria mais razão que clarice a uma altura dessas. mas também sentiria-se herege, se o fizesse escolher. “nevermind”. atrasar páginas no prazer de reler as partes favoritas fazia a vida encontrar parte do sentido que lhe escapou pelo furo do bolso. enquanto balança a cabeça com o não que sempre teve, tenta entender “por que diabos tornou-se incapaz de ser compreensível”. talvez a maturidade trouxesse cansaço. talvez sempre o tivera, mas era educado demais para admitir e permitir-se não aceitar os deslumbres alheios. de certa forma, os anos que deveriam chegar a quem agora já o alcançava, pareciam banais. e se desaprendera a dizer “tudo bem” com a mesma coerência que fazia anos atrás, é porque percebeu que apatia é ruim, mas orgulho em demasia é doença. prefere ainda aprender. mesmo que seja para ter aulas do que sempre soube. olhou de novo pro remendo. perecebeu que não estava lá, daquele jeito que sua tia costureira aprovaria, mas sorriu. estava de volta o pedaço que havia arrancado. e do bolso, agora só tiraria o que lhe desse vontade.