eu disse obrigado na despedida. ela me perguntou por que, e por não ter uma resposta pronta, não soube dizer, mas eu a tinha em algum lugar dentro. aqui. de mim. não que ainda precisasse justificar e nem que os momentos precisasem de muito para serem especiais do jeito que são - e acredite-me, também não foi por educação. ” - você é realmente muito otário, às vezes”, eu disse. ” - é… eu sei”, concordei. os caminhos de volta são sempre reflexivos, ainda mais depois de três garrafas de cerveja. impossível entortar o itinerário e depois dizer que não vi desenhos com as tipografias do livro. o bukowski parece um velho chato, às vezes, me dizendo tudo em detalhes. ” - a essa altura, qualquer escritor lhe parece chato”, disse o álcool. não pude discordar uma vez que pensava em ser tão chato quanto qualquer um, sem a necessidade de exercer profissão certa ou paixão. e daí que os atalhos que não peguei me trouxeram com a mesma rapidez e quando vi, estava brigando novamente com os elevadores. loucura pouca é não ser são, já que a lucidez me deixa estranho. abraçado ao meu notebook, eu percebo o quão ridículo a vida pode ser. mas pra não deixar o otimismo de lado, eu tô me sentindo bem pra caralho.