policlefe

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black hall.

tudo é cinza nessa cidade, e nem o de gosto evita minha gargante seca. em um lampejo na estação nova, eu vi rostos tristes e aquela mulher que me lembra clarice. é o nome de minha mãe, e a que deixou conselhos em livros pra fazer a vida ganhar mais sentido. clareio a saudade que diz que vai, mas volta em instantes menos incontáveis que essa porção de sanidade escassa. um prefácio curto. pensar já não me faz tão racional - joga a realidade na minha cara, como se fosse feita de substância espalhafatosa e grudenda. mato dois ou três no caminho. mato o maço inteiro. nas conversas breves em casas de rodas, encurto o caminho e o tempo, como se ainda fosse um sonho não vivido. e se meu organismo já não é mais tão necessário quanto a paz de estar em par, como ouvi, livro-me para vagar e marcar presença. guardo o abraço final, porque abraço é de coleção preferida. e os bilhetes, porque me lembram dos abraços que a memória deixou escapar. paliativo é tentar molhar a garganta com drops, sendo que nada aqui se mostra tão convincente ao sentir o prazer das pequenas torturas. sadomasoquista é o destino e a escuridão no térreo, que me submete a incertezas sólidas, pra sofrer antes da hora. mas o lar é novidade e já está tudo bem de novo. só quero a casa construída de manhã, quando os sonhos ainda se misturam depois de acordar e tomar banho.

Posted on Wednesday, September 22 2010. Tagged with: blablabla
policlefe trocadilhos. a chave mestra do relógio e da laranja. o mecanismo falho dos dias narrado por um procrastinador crônico de sonhos impossíveis, olhares atentos e palavras pouco garantidas. em traços, cores e linhas tudo se transforma. abre-se uma porta de cada vez.
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