policlefe

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marriedwithalackofvision.

tinha andado tanto naqueles dias, mesmo sem sair de casa. e eram tantos passos percorridos, que parava, às vezes, para medir os extremos rodados. cidades, países, lugares fora de qualquer geografia. tudo registrado pela câmera desfocada da imaginação. mas semana próxima seria diferente. e isso já era quase uma promessa. não ia dizer muito mais do que ousa falar, ia prender a respiração e procurar não se meter em encrenca - nem por e-mail. seria íntegro e belo, até riscar a última feira antes do fim de semana. e daí, poderia deixar de tragar a solidão pelos olhos, para vê-la derramar de novo. e começaria a contar outra vez. talvez permita ser um pouco mais realista também, sem tentar se esconder tanto nas palavras. e talvez ande. de verdade. dessa vez atento para as oportunidades e com uma vontade infantil de pedir um abraço ou puxar papo com quem se aproximar. e, no fim das contas, podia ser ela. e podia chegar só pra avisar que sua camiseta está suja nas costas ou que ele acabou esquecendo o celular no banco da praça. se o sorriso denunciasse a fragilidade da situação, poderia beijá-la. ele não ligaria. mas se a luz do sol mantivesse a pouca sanidade e o convencesse a deixar tudo isso de lado - afinal, a quem iria querer enganar? a camiseta estaria limpa e o celular continuaria mudo no bolso. tudo bem. andando ou não, pior é não ter um amigo para lhe oferecer um porre!

Posted on Thursday, September 15 2011. Tagged with: blablabla
policlefe trocadilhos. a chave mestra do relógio e da laranja. o mecanismo falho dos dias narrado por um procrastinador crônico de sonhos impossíveis, olhares atentos e palavras pouco garantidas. em traços, cores e linhas tudo se transforma. abre-se uma porta de cada vez.
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