Posted 2 weeks ago

não te opõe ao curso do rio / prestidigitar a frustração / tem dias que a vida é um ato de coragem.

Posted 2 weeks ago

uponme.

mais fácil do que eu te cortar, é me ferir. e rasgado em silêncio, só observo. sem grandes interpretações aparentes. porque é assim que escolho. e assim já se torna o bastante. pra manter algum valor, dos poucos que restam, pra seguir com os planos em segredo. se me fasso bardo rebelde, contra deuses e humanos, é porque hoje acordei assim. deixo recados no vento, soltos pra quem quiser enxergar, em palavras e gestos, em prazos de validade. e vence. nada difícil é compreender que o decifrar dos outros é abrir as portas para ser evasivo. o ser, eu. é fugir de ponderações, mesmo na américa do sul. de sangue eu me faço, de tudo que me corre, eu sou. em poucas estações eu paro, mas se não souber me acomodar, mudo. e mudo fico. cortando em silêncio, rasgado sem ferir, por saber compreender. sem cair em esperanças tolas ou esperar por reciprocidade. 

Posted 3 months ago

sunlesson.

desvirtuo em maturidade as palavras que somos capazes de dizer. ao saber que no além daqui, tristeza é menos quando sei que me ouves. e pra completar as horas vagas, calejo as mãos embaixo do sol, aro a terra pra depois te ver sorrindo. nela. quando aqui encher de grama e flores e o sol não mais amorenar minhas costas, mas sim seu rosto. cheio de sorrisos. nem sei, na verdade, se será tão eterno quando espero que seja. mas não há espaço pra preocupação, sendo que tudo é momento coletado. um a um. e a alegria desses momentos todos, que enchem meu ar de mais alegrias, já se torna um mar sem fim na extensão da minha casa em construção. estas alegrias, mesmo pequenas em suas singularidades, são notáveis. estão sempre presentes. isto é, se assim posso ouvir sua voz tão menos longe que a distância de um palmo, já nomeio alegria. e coro meu rosto sem precisar de sol, encho de novo o coração com o calor do seu timbre. e sonho com cheiro de bolo de cenoura, nós no rancho, cansados depois de tanto rir, fazendo as confissões que só nós sabemos dizer e ouvir. sem julgamentos. porque se ainda não somos cúmplices, não sei dizer muito mais. ou talvez saiba. e seja muito maior que o mar de alegrias que construí. que seja o que o destino nos reserva. acabando sempre em felicidade, do jeito que você me ensinou.

Posted 3 months ago

bloo.

sabia que para aquele pouco ser tanto, era porque já havia sido muito há tempos. deitado em seu quarto, me projeto na parede. a luz da televisão. devaneios deslocados, seu enigma desvendado assim te deixa. nua. procuro reverter, mas não. você me tem. com seus jogos e dados. você me tem. todas as vezes que quiser. me tem. mesmo que, eu, às vezes não. tem. porque sabe ser. porque o pouco, ex-muito, agora será o suficiente. sempre.

Posted 3 months ago

eralreadyera.

bastava ser menos pra ser perfeito, algo que pudesse modificar o antes para que agora fosse direito. ou só uma questão de conduta e preguiça - refletida na maneira como tudo se faz; e na minha preguiça, claro. mas ainda que não fosse (perfeito), seria o bastante manter a simplicidade. sem devaneios adolescentes, urgência de vida e desejos repentinos, esses que só servem pra sentir que assim se vive. um segredo: nem sempre. nas tensões imprecisas, o ocupar dos espaços com o supérfulo é desnecessário. só instiga o sono, que se desfaz com dificuldade tão maior que o inverso. no subjetivismo empregado por vontade, indico ainda um ou dois que podem compreender. e sorrio. porque, às vezes, pode assim ser melhor. ou seria, se não subvertesse o sentido do ser. ou porque a tranquilidade em viver é para poucos. e, pelo bem, os poucos não mudam.

Posted 3 months ago

surpresa boa na timeline.
<3

manumanumanu
:

“uma paixão aqui, um quase-amor ali. ainda bem que existem amigos para amar, abraçar, sorrir, cantar, escrever em recibos e tirar fotos bonitas. e a vida segue. feliz. sua imaginação te preenche, seus amigos te dão colo, vodka e dias incríveis.”

Posted 4 months ago

marriedwithalackofvision.

tinha andado tanto naqueles dias, mesmo sem sair de casa. e eram tantos passos percorridos, que parava, às vezes, para medir os extremos rodados. cidades, países, lugares fora de qualquer geografia. tudo registrado pela câmera desfocada da imaginação. mas semana próxima seria diferente. e isso já era quase uma promessa. não ia dizer muito mais do que ousa falar, ia prender a respiração e procurar não se meter em encrenca - nem por e-mail. seria íntegro e belo, até riscar a última feira antes do fim de semana. e daí, poderia deixar de tragar a solidão pelos olhos, para vê-la derramar de novo. e começaria a contar outra vez. talvez permita ser um pouco mais realista também, sem tentar se esconder tanto nas palavras. e talvez ande. de verdade. dessa vez atento para as oportunidades e com uma vontade infantil de pedir um abraço ou puxar papo com quem se aproximar. e, no fim das contas, podia ser ela. e podia chegar só pra avisar que sua camiseta está suja nas costas ou que ele acabou esquecendo o celular no banco da praça. se o sorriso denunciasse a fragilidade da situação, poderia beijá-la. ele não ligaria. mas se a luz do sol mantivesse a pouca sanidade e o convencesse a deixar tudo isso de lado - afinal, a quem iria querer enganar? a camiseta estaria limpa e o celular continuaria mudo no bolso. tudo bem. andando ou não, pior é não ter um amigo para lhe oferecer um porre!

Posted 4 months ago

- invento o cais / e sei a vez / de me lançar.

Posted 4 months ago

acrossthestreet.

teria eu de ser outro para poder, então, ser eu mesmo? não se ainda notasse que a continuidade de qualquer assunto fosse trincada por um novo. e assim, ainda seria eu. e sim quando os sonhos continuassem sendo sonhos, assim, intactos, desnutridos pelo calor do meu olhar - apenas. quase nada na prática, situação que meus pensamentos mapeam com tantos detalhes. é, nada como ainda ser covarde perante ao que me move. ainda que tentasse evitar os momentos em que você está junto - mesmo não estando - é impossivel deixar de reproduzí-los na solidão, quando nenhuma outra alternativa parece melhor. quando o que está dentro permanece sem nenhum tipo de luz pra fazer crescer. eu sonho. sendo piegas pra caralho, eu sonho. ah, se aqui tivesse a chance de renovar a vida, nela colocaria um pouco mais de mim, um pouco menos de tudo que acaba por apodrecer com o tempo. mudar me fez perceber que não só o lar precisa de novos ares. ainda conto estórias pra ninguém ouvir, ninguém além de mim, mudando a toda hora o final feliz. mas ainda são estórias. dessas que me embalam o sono e me faz perder ao acordar. dessas que só eu sei, por vontade de que continue assim, pra mim. e só. e se um dia eu ainda não me estranhar por apenas ser, volto pra cá, praí, pra onde for. agora, quero aprender a ter distância. até de mim.

Posted 4 months ago

to.dry.your.eye.

ela ouvia “she’s falling in love with a monster man” quando encontraram seu corpo. alice não estava feia. acho que nunca foi. era difícil viver sem o close de seu rosto na minha memória. mas eles precisaram ver mais que seu rosto. alice estava no carro, tinha acabado de injetar mais uma dose. não acho que queria partir assim, foi só um acidente. overdose. alice me abraçava como ninguém nunca o fez. e seu rosto estava pouco coberto, havia cortado o cabelo há poucas semanas, mas quase não lembro de ter um cabelo maior. sempre da mesma cor. alice tinha uma pinta ao lado do olho esquerdo e um sorriso inconfundível. não sei se onde ela está agora sorri tanto como faz em minhas lembranças. mas ela o fazia, principalmente quando brincava com seu cachorro ou quando dizia que me amava, sem grandes pretensões. eu retribuía. o sorriso e o amor. alice era feliz, só parecia não saber onde era o seu lugar. lembro que me acordou em uma noite e disse que precisávamos fugir. ah, se eu soubesse ouvir e perceber sua urgência, não teria hesitado na primeira vez em que disse. alice buscava sua casa. a ansiedade era controlada pelas várias drogas que ela ingeria - das mais diversas formas -, capazes de levá-la tão longe. alice gostava das pequenas coisas. “estou andando em circulos”, me disse enquanto apagava mais um cigarro. o cinzeiro vivia cheio. alice foi por acidente. não deixou recados, apenas foi. podia ter batido seu carro, mas ela repousava com um rosto pacífico quando a encontraram. alice, alice. quanta coisa ainda queria ver, ouvir ou falar. ela não fez de propósito, aposto que tenta encontrar “os responsáveis” pra dizer que foi apenas um engano. alice se foi sem saber seu lugar. sem saber que seu lugar não estava longe, era bem aqui. ela é daquelas que não posso abandonar, nem se eu quiser. alice e seu sorriso, seu braço perfurado por ruas sem saída. ainda penso que algo melhor trouxe alice até aqui. eu sempre a pertenci. por obra do acaso ou não, a incerteza traz uma esperança. imagino alice sorrindo daquele jeito inconfundível, dizendo que encontrou o que procurava. seu lugar em mim.


[07.2008]