policlefe
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selvadeconcreto.

eu sinto falta da chuva. mesmo que ela tenha contemplado minha janela quase todos os dias, eu sinto a falta de tudo o que o dia é depois da chuva. do cheiro que fica no asfalto, na terra e na grama. sinto falta dos dias que parecem dias de verdade. dias para viver, não apenas vividos. queria poder não só olhar, mas sair na rua e tomar um bom banho. deitar no asfalto, na terra, na grama. sorrir. sentir pelo menos um pouco o que os dias têm levado de mim. aqui as ruas não são feitas de terra, tão pouco deixam cheiros bons. e se isso realmente acontece, eu não consigo perceber. parar tem sido algo proximo do luxo, distante da minha realidade. então eu sonho com os dias em que eu possa pisar na grama, sentir o cheiro da chuva, aprecisar o dia depois que ela for embora, abraçar quem eu amo e dormir em paz. quero uma viagem pra qualquer canto do mundo, que tenha como sobrenome o sossego. e só.

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dei cinco tiros nessa folha. mas não sangra.
aqui não tem sangue, lágrima ou expressão.



dia branco.

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my goddess. ;)

my goddess. ;)

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notinabox.

sentou ao meu lado, sorriu como sempre fez. há tantos anos não lembrava o que era um desses sinceros. sorrisos. eu já nem conseguia mais olhar na sua cara, mas ela sorria. bebia whisky e me desafiava ao mostrar os dentes. largos afetos em olhos rasgadinhos, quase não se via o brilho enquanto sorria. dos olhos, eu digo. pois a face era iluminada. ela envelhecera, assim como eu, mas não havia deixado o tempo levar sua luz. ficamos nos fitando por horas, deixando que o sorriso dela falasse. até mais que minha indignação. manteve a franja. talvez ainda tivesse mantido muito mais. ou não. talvez mudara tanto, que deixara a franja para se lembrar do que foi antigamente. e eu ainda cantava os mesmos versos. eu, que precisei provar que nada duraria tanto tempo, agora tinha a  contestação. podia até terminar a vida ali, ao saber que um dia imaginei nem fazer-me lembrar da canção. mas lembrava. de tudo. um golpe tão ridículo que eu nem poderia prever. nem uma palavra. não importa. tarde demais pra dizer ou querer saber o que a vida tinha feito com cada um de nós. era só uma ponta de felicidade misturada com incerteza por vermos um ao outro. e só. uma vida inteira esperando um olhar. a gente sabia o final e quem tinha ganhado tudo. então só nos olhamos. como ultima lembrança, levei “ali”. um lugar. ali. uma foto imaginária que caixa nenhuma consegue guardar. só o tempo.

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joke.

morar nesse prédio é a piada mais sem graça do ano. um, porque não tem nada aqui, é só uma torre adoslescente, de 11 andares, com poucos neurônios ou vida inteligente ocupando os apartamentos, que até hoje eu não sei se são três ou dois por andar. dois, porque a churraqueira é um verdadeiro fiasco, tem uma parte tortalmente coberta, qual a graça de fazer um churrasco sem nem poder ver o dia, direito? três, o condomínimo deveria ser barato, já que forma nenhuma de lazer se encontra aqui, além do meu quarto. quatro, os elevadores estão ficando loucos, um dia eu entrei e apertei o botão e ele só fechou a porta, me trancafiando por alguns instantes e depois abriu de novo, mas não saiu do lugar. quinto, eu precisei de uma gravação das milhares câmeras que eles instalaram em tudo quanto é canto, mas não puderem me dar, “o tempo de gravação dela expirou, tá muito velho o que você quer”, sendo que eu pedi a porra da gravação na mesma semana que precisei. e SEXTO, depois de tudo isso, ainda reclamam quando eu chego cansado do trabalho e da faculdade e quero pegar meu disco voador que toca mp3 e cantar um pouco no banho. mesmo que seja uma da manhã. “abaixa o som” de cu é rola. eu deveria ao menos poder fazer isso! quero um outro lugar pra morar, alguém tem sugestões?

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(via thelovelybones)
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a verdade é que...

… eu sempre volto para o mesmo lugar.

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oneway.

só tem um jeito de finalizar certas histórias.
terminando do jeito que começou.

Bang bang, she shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down

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soldier.

eu não sei até que ponto fui, mas já volto pra casa. uma batalha dessas sempre deixa feridas expostas, um cansaço inigualável e partes doloridas. sufocar os sentimentos nunca foi minha especialidade, mas agora parece não ter outro jeito. mato os meus aliados. sobrevive o mais forte. penso no dia de amanhã, já que a noite aqui se faz. um tanto mais tranquila que no campo, é verdade, mas cheia de fantasmas. os mesmos que sufoquei. a cada dedo pressionado, uma esperança que se vai. acertar o alvo é fácil, difícil é lidar com as consequências. eu amarro tudo, escondo debaixo dos tijolos. tudo o que aqui me faz menor, já não tem mais essa certeza. limpo os canos, deixo tudo engatilhado. as pedras são uma boa defesa, mas não melhor que as granadas. jogo uma por uma, armei minha defesa pro resto da vida. afinal, você tira um soldado do campo de guerra, mas não tira a guerra do soldado.

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nohaybanda.

o silêncio chegou. enfim, o silêncio. não há mais nada a dizer, nem a explicar. eu tenho teorias que preencheriam folhas e folhas, coisas que você não foi capaz de compreender, mas que não adiantariam nada. fazem sentido pra mim, assim como você tem suas razões listadas em algum lugar. se posso dizer, eu já dou risada de tudo, principalmente dos meus erros. da minha tolice de acreditar em utopia. aprendi que tem coisas que realmente não existem, e se os erros são tão reais, servirão para não errar da próxima vez. é tudo tão cliché. tudo o que não era pra ser. de certa forma, eu sorrio bem mais por saber que isso não vai te impedir de viver. nem a mim. por saber que foi bom, aconteceu e pronto, mas que o tempo pouco teve influência nisso tudo. tudo pode acontecer e ser tão bom quanto, não estamos sujeitos a exclusividade num mundo tão grande. valer a pena é relativo. ter a consciência limpa não. mas você encontra meios, eu sei o quanto você se ama para deixar que isso te destrua. se auto sabotar é uma saída, não das mais gratificantes, mas se isso te ajuda, acho ótimo! daí fica assim, fica em paz. um silêncio leve que antes existia e volta. e faz sentido.